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1ª Reunião do projecto Ciência Viva P-IV-1994

“Acções Integradas sobre o Sentido da Audição”

 

Local: Laboratório de Processamento de Sinal I323 da FEUP

Data: 26 de Janeiro de 2001

 

Participantes:

                   Aníbal Ferreira (coordenador, INESC Porto / FEUP)

                   Alberto Maia (INESC Porto)

                   António M. L. Silva Pereira (E.S. Fontes Pereira de Melo)

                   Guilherme E. O. Resende Silva (Colégio Internato Carvalhos)

                   Angelo da Costa Cabral (Colégio Internato Carvalhos)

João Carlos (Colégio Internato Carvalhos)

 

 

Introdução

 

A reunião havia sido convocada pelo coordenador, com duas semanas de antecedência, através de uma carta enviada a todos os parceiros do projecto (E.S.F.P.M, C.I.C, Decibel) e propondo para agenda os seguintes tópicos:

 

·         reformulação dos objectivos do projecto,

·         a execução e gestão do orçamento do projecto,

·         a definição das tarefas acometidas a cada Parceiro e sua calendarização,

·         apoio técnico e médico no planeamento, condução, análise e divulgação de resultados do rastreio audiométrico previsto no projecto.

 

Foi também distribuído um pequeno documento contendo uma reflexão preparatória para a reunião e relativa aos diversos ponto em agenda. Este documento foi também enviado ao Gabinete do Programa Ciência Viva, juntamente com uma justificação para o atraso de três meses verificado no arranque do projecto relativamente à data prevista de Outubro de 2000.

 

Só não compareceu um representante da Decibel, uma vez que, em conversa anterior com o coordenador do projecto, reconheceu-se não ser fundamental essa presença nesta fase inicial do projecto, essencialmente dedicada à concepção e construção dos demonstradores interactivos. A presença de um representante da Decibel, assim como o aconselhamento médico, serão importantes aquando do planeamento e condução das actividades E e F e relativas às acções de campo, previstas para o ano de 2002.

 

Discussão

 

A reunião iniciou-se em tom informal, com uma visita guiada ao laboratório de investigação em Processamento de Sinal (I323) do Departamento de Engenharia Electrotécnica e Computadores, na FEUP, onde decorrem alguns trabalhos sob a orientação do coordenador do projecto. Em particular, foi apresentado:

·         um demonstrador, já concluído, de um sistema de classificação automática de tijolos, que poderá eventualmente ter algum interesse para integrar o conjunto de demonstradores do presente projecto Ciência Viva, uma vez que alude à natureza do som e à informação por ele veículada,

·         um sistema igualizador gráfico em 20 bandas usando técnicas de processamento digital de sinal e em fase de pré-série industrial.

 

 

 

Foram também descritas as áreas de trabalho dizendo sobretudo respeito a planos de pós-graduação, actualmente em curso neste laboratório de investigação e com o apoio da Fundação para a Ciência e Tecnologia, e que consistem na:

·         codificação / compressão de sinais áudio usando técnicas semelhantes às usadas pelo conhecido formato de compressão MP3,

·         classificação automática de peças de cerâmica, nomeadamente de telhas,

·         igualização gráfica e automática de espaços acústicos,

·         codificação de áudio multicanal e síntese de som 3D,

·         transcrição de PCM (formato não semântico de representação de informação áudio) para o formato MIDI de representação simbólica de música (formato semântico de representação de informação musical).

 

Após a visita, iniciou-se a reunião propriamente dita, com a discussão de cada um dos tópicos propostos para a sua agenda. Relativamente ao tópico dos objectivos do projecto e sua possível reformulação, os parceiros revelaram alguma preocupação quanto à complexidade técnica dos demonstradores previstos, quanto à sua viabilidade em face do orçamento aprovado e quanto à efectiva contribuição de cada parceiro na sua concepção e realização.

 

Foram debatidos vários aspectos dos demonstradores e ficou acordado que este debate preliminar serviria simplesmente para ponderar e reposicionar o interesse de cada parceiro, em termos da sua contribuição para cada demonstrador, até porque esta era a primeira reflexão conjunta. Ficou também acordado que haveria lugar a uma nova reunião, três ou quatro semanas após a presente, altura em que se passaria ao detalhe da especificação e calendarização da contribuição de cada parceiro.

 

Quanto ao aspecto da execução e gestão do orçamento do projecto, o coordenador propôs duas alternativas: ou uma abordagem central (com toda a facturação tratada directamente pelo INESC Porto) ou uma abordagem local, com repartição do financiamento pelos vários parceiros ficando a cargo destes a sua gestão, com posterior relato e centralização dos exercícios parcelares pelo INESC Porto. A primeira alternativa foi a preferida pela maioria dos parceiros presentes pelo que se decidiu adoptá-la.

 

Na sequência deste relatório, faz-se referência a alguns aspectos abordados na reunião pelos parceiros e relativos especificamente a cada uma das actividades previstas no projecto.

 

 

Actividade A

(projecto e construção do demonstrador ilustrativo dos princípios de funcionamento da região periférica do sistema auditivo humano, INESC Porto, ESFPM)

 

O coordenador apresentou um simulador por software (que se encontra em www.neurophys.wisc.edu/animations), que ilustra o efeito físico que se pretende destacar com o demonstrador interactivo e que diz respeito à organização tonotópica da membrana basilar (ressonância local em função da frequência de uma excitação acústica), no interior da cóclea. O Prof. Silva Pereira, referiu que o acesso a este software era fundamental para motivar competências na área da mecânica para o nosso demonstrador. Referiu também que apesar de procurar conseguir este apoio técnico, a ESFPM poderia mais facilmente contribuir no aspecto da componente electrónica necessária ao demonstrador. O coordenador referiu também que iria procurar auxílio junto de colegas do Deptº de Mecânica do DEEC para os aspectos de funcionamento mecânico e construção do demonstrador. O primeiro elemento deste demonstrador e cuja construção está em discussão neste momento, é o excitador mecânico que induzirá oscilações do tipo sinusoidal num líquido e cujo primeiro esboço é o da seguinte figura.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


O coordenador referiu também que seria desejável que relativamente a este demonstrador, resultassem dois paineis explicativos, um sobre a natureza do som e suas principais propriedades (a este propósito, foi encontrada uma página Web de um fabricante de próteses auditivas que, na opinião do orientador, pode bem servir de modelo:

http://www.bernafon.ch/eng/hearing/index.html) e um outro sobre o aspecto de funcionamento da região periférica do sistema auditivo humano que é retratado pelo demonstrador. O ideal seria também que relativamente ao primeiro painel, houvesse um sistema baseado em PC e a funcionar em tempo-real, que fizesse a representação do sinal áudio captado por um microfone (tipo osciloscópio), a representação do seu espectro, e ainda sobrepusesse a esta representação três aspectos de análise do sinal: o “pitch” (frequência fundamental), estrutura harmónica e envolvente espectral. Este último objectivo fica contudo dependente do apoio de alunos da licenciatura que o coordenador consiga motivar.

 

Outros “sites” na Web com particular interesse para esta actividade poderão ser os seguintes:

 

www.btnrh.boystown.org/cel/waves.htm

www.neurophys.wisc.edu/animations

www.sissa.it/bp/Cochlea/twlo.htm

earlab.bu.edu/physiology/mechanics.html

 

 

 

Actividade B

(projecto e implementação de um dispositivo compacto e apelativo para a monitorização de níveis e exposições sonoros, INESC Porto, CIC)

 

Este demonstrador encerra imensos desafios porque por um lado é ambicioso do ponto de vista funcional e por outro lado, a intenção de miniaturização pretendida para todo o sistema restringe fortemente as alternativas da tecnologia a usar. A proposta inicial do coordenador pode ser ilustrada pela figura seguinte.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


O dispositivo teria essencialmente dois modos de funcionamento não simultâneos: como sonómetro e como indicador espectral (na realidade havia sido inicialmente pensado um terceiro modo como dosímetro -que acumula medidas ao longo do tempo-, o que corresponderia a uma extensão do modo de sonómetro –que fornece medidas instantâneas-, mas tal foi colocado de parte dados os consideráveis requisitos de memória).

 

No modo como sonómetro, o dispositivo afixa a leitura precisa em dB num LCD, a que corresponde uma sinalização, numa escala reduzida de LEDs, para o seu significado em termos de risco para o sistema auditivo humano. Este é o modo que facilita a intuição para as intensidade sonoras críticas, a evitar.

 

No modo de indicador espectral, o sistema indicaria através da sinalização de um LED, por exemplo numa escala graduada em oitavas, a frequência mais proeminente do som captado em cada instante, cerca de 4 vezes por segundo. Esta escala é interessante porque corresponde à mesma escala com que são realizados os testes de audiograma tonal, também previstos no projecto.

 

Estas duas medidas seriam fáceis de realizar dispondo de um processador digital de sinal com algum poder de cálculo (até 3 MIPS).

 

Os parceiros do projecto referiram que em face da pretensão de miniaturização do sistema, da sua natureza compacta e portátil, estes modos de funcionamento provavelmente não poderiam ser conseguidos a custos suportáveis pelo orçamento do projecto. Admitiu-se a possibilidade, até porque provavelmente será a mais interessante para os alunos, de manter só o funcionamento como sonómetro.

 

Ficou acordado que os vários parceiro iriam definir sugestões de implementação do sistema, ou utilizando tecnologia analógica para medida do valor RMS do sinal áudio e posterior digitalização (CIC), ou por medida digital usando um DSP de baixo consumo e custo e um LCD de baixo custo e com cerca de três dígitos numéricos (INESC). Esta informação será recolhida pelos parceiros e discutida na próxima reunião.

 

Cabe contudo acrescentar que no caso de se optar pela digitalização directa do sinal áudio para posterior processamento, de modo a acomodar uma gama dinâmica de cerca de 80 dBs, serão necessários conversores com uma resolução de pelo menos 14 bits, e de modo a acomodar uma análise espectral de banda larga (até 15 kHz), deverá usar-se uma frequência de amostragem de pelo menos 32 kHz.

 

O painel informativo já referido na actividade anterior e sobre a natureza do som e suas propriedades, é fundamental para justificar e enquadrar o painel que será preparado sobre este demonstrador.

 

 

 

 

Actividade D

(projecto, construção e manutenção de uma página na “Internet” sobre o projecto, suas realizações tecnológicas inovadoras e acções integradas de formação, demonstração tecnológica e sensibilização, todos os parceiros)

 

A realização desta actividade não ficou ainda esclarecida mas reconhecendo que ela é da maior importância para a afirmação e valorização do projecto, o coordenador propõe como base para futura discussão, o tratamento dos seguintes tópicos na página Web do projecto, até como forma de apurar a sua apresentação que poderá ser usada para os posteres (ou paineis)  informativos:

·         o que é o som ?

·         tempo

·         frequência

·         intensidade

·         fisiologia do ouvido

·         constituição

·         princípio de funcionamento

·         defesa e prevenção da acuidade auditiva

·         cuidados a ter

·         níveis de exposição de risco

·         stress acústico

·         formas de diagnóstico de tratamento

·         tipos de testes (destaque para o audiométrico)

·         sinais de alerta (e.g. tinitus)

·         próteses auditivas

 

No tratamento destes temas, poderá ter interesse ilustrar por simulação a forma com ouve um paciente com perdas auditivas. Esta demonstração será também seguramente interessante para as duas acções de campo a realizar no âmbito do projecto. Para além da página Web referida no início deste documento e também no documento “Reflexão de Preparação para a Primeira Reunião de Projecto” (http://www.iurc.montp.inserm.fr/cric/audition/english/index.htm), há uma imensidão de exemplos que podem servir de inspiração para alguns dos temas a tratar na página do projecto. Recomenda-se uma navegação a partir do endereço www.ehima.com da associação de fabricantes de equipamentos de audição.  Os vários fabricantes de próteses auditivas incluem normalmente nos seus “sites” informação sobre o som e o sentido da audição.

 

Actividades E e F

(planeamento, preparação e condução das acções pedagógicas incluindo as componentes de demonstração/experimentação, apresentações/debate e testes audiométricos, todos os parceiros)

 

Não houve discussão relevante sobre estas actividades, até por ser prematuro, contudo houve a informação do coordenador de que este tinha a intenção de contactar o serviço de otorrino do Hospital de S. João de modo a solicitar o acompanhamento e aconselhamento médico para as acções de campo previstas e suas realizações, com natural ênfase para o rastreio audiométrico. Desde a reunião de 26 de Janeiro, foi efectivamente realizado esse contacto com a apresentação do projecto e conseguiu-se motivar o empenhamento de uma médica que neste momento se encontra também envolvida em estudos de pós-graduação e que reconheceu interesse nos objectivos do projecto. Por outro lado, o Sr. Celso Martins da Decibel disponibilizou-se para fornecer material temático relativo a forma de reabilitação auditiva.

 

Cabe também acrescentar que o coordenador tem em sua posse gravações vídeo de pelo menos dois programas, que foram exibidos no canal 2 da RTP, e que contêm referências, depoimentos, e apresentação de casos reais que poderão ser relevantes na preparação das sessões de debate. A possibilidade de pesquisa de outros materiais no arquivo da RTP é viável dada a relação privilegiada entre a RTP e o INESC Porto, fruto de projectos anteriores. O coordenador recorda-se de duas séries já exibidas e que contêm seguramente material interessante, trata-se da série “Sinais do Tempo” e da série “Viver com Saúde”.

 

 

Aníbal João de Sousa Ferreira

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