4ª Reunião do projecto Ciência Viva P-IV-1994
“Acções Integradas sobre o Sentido da Audição”
Local: Gabinete I325 da FEUP
Data: 12 de Outubro de 2001
Participantes:
Aníbal
Ferreira (coordenador, INESC Porto / FEUP)
António
M. L. Silva Pereira (E.S. Fontes Pereira de Melo)
Rogério
Barros Baldaia (E.S. Fontes Pereira de Melo)
Angelo
da Costa Cabral (Colégio Internato Carvalhos)
Guilherme
E. O. Resende Silva (Colégio Internato Carvalhos)
João
Carlos Pinto Martins(Colégio Internato Carvalhos)
A reunião foi convocada pelo coordenador com o
objectivo de discutir os seguintes tópicos:
· informação sobre visita efectuada ao “Visionarium”,
·
relato das últimas experiências relativas ao
projecto do demonstrador físico da hidromecânica da cóclea,
·
ponto da situação relativamente ao projecto das
duas versões do sonómetro,
·
informação sobre aplicação em PC ilustrando, de
forma interactiva, a análise espectral de sinais de voz e sua caracterização
nomeadamente em termos de tonalidade e formantes,
O coordenador relatou aos parceiros a visita que
realizou ao “Imaginarium”, na Vila da Feira e ilustrou através de fotografias,
o tratamento que é dado nesse espaço de experimentação didáctico-científica, ao
sentido da audição e à natureza do som. Em particular, as fotografias fornecem
sugestões interessantes quanto ao projecto de pósteres explicativos cujo
planeamento no âmbito do nosso projecto será abordado na próxima reunião.
Na sequência deste relatório, faz-se referência aos
restantes aspectos abordados na reunião pelos parceiros e relativos
especificamente a cada uma das actividades previstas no projecto.
(projecto e construção do demonstrador ilustrativo dos princípios de funcionamento da região periférica do sistema auditivo humano, INESC Porto, ESFPM)
Foram mostrados os dispositivos construídos para
simularem o gradiente de rigidez da membrana basilar no interior da cóclea
(proporcionando diferentes características ressonantes ao longo do seu
comprimento), como se descreve pormenorizadamente no último relatório de
reunião distribuído aos parceiros. Os parceiros concluíram que o insucesso dos
últimos ensaios deveram-se por um lado às dificuldades de construção dos
dispositivos, e por outro lado, provavelmente também devido à limitação básica
de todo o demonstrador em não retratar convenientemente a combinação do aumento
da espessura com a diminuição da rigidez ao longo do comprimento da membrana
basilar. Foi também apontada a possibilidade de retratar convenientemente a
redução da secção das rampas vestibular e timpânica ao longo da membrana
basilar. Os parceiros da ESFPM afirmaram que iriam usar um sistema hidráulico
existente nas suas instalações para concluir sobre a importância deste último
aspecto no controlo da pressão no demonstrador. O coordenador afirmou que iria
recolher a crítica de colegas do Departamento de Química da FEUP aos últimos
resultados.
(projecto e
implementação de um dispositivo compacto e apelativo para a monitorização de
níveis e exposições sonoros, INESC Porto, CIC)
Os parceiros do CIC fizeram o ponto da situação
relativamente a dois desenvolvimentos que demonstraram. Um deles ilustra uma
configuração electrónica do mostrador LCD (a usar no sonómetro na versão em
DSP) utilizado como contador. Concluiu-se sobre a sua simplicidade e foi
indicada a possibilidade de usar uma outra alternativa para utilização no
sonómetro baseado em DSP já que este pode fornecer directamente os sinais para
os 7 segmentos de cada dígito, evitando portanto a conversão externa
BCD-7segmentos. O outro desenvolvimento refere-se à versão analógica do
sonómetro. Foi demonstrado o funcionamento deste sistema usando desta vez 6 ou
7 LEDs para indicar níveis sonoros. Concluiu-se que do ponto de vista de
regularidade no incremento dos níveis sonoros, a utilização de seis LEDs era
mais adequada. Ficou acordado que os próximos objectivos seriam a definição do
esquema final do circuito e a identificação de uma caixa compacta adequada para
encapsular ao sistema.
Foi também feito o ponto da situação relativamente
ao desenvolvimento do sonómetro na sua versão em DSP. Foi demonstrada a
funcionalidade da componente de software
deste sistema, com base na plataforma de desenvolvimento para o processador a
usar (TMS320C4502 da Texas Instruments). A componente em hardware encontra-se em fase adiantada de desenvolvimento e serão
demonstrados na próxima reunião os avanços já alcançados. De facto, a
realização parcial em hardware com
todos os periféricos necessários (nomeadamente o conversor A/D, o mostrador LCD
e o conjunto de LEDs) já foi testada, faltando agora o projecto do sistema
compacto final incluindo, para além dos periféricos anteriores, o DSP e EPROM.
Os componentes necessários à montagem de 15 sonómetros já foram encomendados.
Estima-se que o custo final de cada sistema ronde os 125 Euros.
(projecto,
construção e manutenção de uma página na “Internet” sobre o projecto, suas
realizações tecnológicas inovadoras e acções integradas de formação,
demonstração tecnológica e sensibilização, todos os parceiros)
Foi demonstrada uma versão preliminar da aplicação
interactiva para PC, sobre a análise de sinais de voz. A aplicação faz uma
representação dos sinais quer no domínio do tempo, quer no da frequência. Esta
representação é acompanhada de funções auxiliares de análise que medem a
tonalidade da voz, medem o seu timbre (pela identificação de formantes) e
identificam a sua estrutura harmónica. O próximo passo é a criação de um modo
funcional de reconhecimento das cinco vogais. Na próxima reunião de projecto
será feita uma demonstração da aplicação e desta funcionalidade em particular.
Dado que esta aplicação é bastante poderosa relativamente a demonstradores
similares em exibição quer no Pavilhão do Conhecimento (Parque das Nações em
Lisboa) quer no Visionarium (Vila da Feira), é nossa expectativa que a partir
do 6º Fórum Ciência Viva, ele passe a ser incluído no conjunto de demonstradores
do Pavilhão do Conhecimento.
(planeamento,
preparação e condução das acções pedagógicas incluindo as componentes de
demonstração/experimentação, apresentações/debate e testes audiométricos, todos
os parceiros)
Não houve discussão sobre estas actividades.
Dado que a última reunião realizou-se há já 5
meses, verificaram-se alguns desenvolvimentos que importa relatar e importa
também fazer um balanço das realizações decorrentes dos objectivos do nosso
projecto e que deverão ser concluídas até à data do próximo Fórum Ciência Viva,
que terá lugar de 10 a 11 de Maio de 2002, no Parque das Nações, em Lisboa.
Estas considerações serão tratadas a seguir com
referência às diversas actividades do projecto e têm por objectivo enquadrar os
tópicos em agenda para a próxima reunião.
(projecto e construção do demonstrador ilustrativo dos princípios de funcionamento da região periférica do sistema auditivo humano, INESC Porto, ESFPM)
Como decidido na última reunião, o coordenador
solicitou a apreciação de dois Colegas, um do Depº de Química da FEUP e outro
do Depº de Engenharia Mecânica da FEUP, em relação aos protótipos construídos e
aos resultados obtidos. As críticas dirigiram-se ao facto de haver ar no
interior do demonstrador o que, devido à sua compressibilidade, absorve as
variações de pressão induzidas no demonstrador, impedindo o efeito funcional
pretendido. Foi inclusivamente referido que o protótipo construído ilustra bem
a técnica vulgarmente usada nas canalizações de modo a absorver impulsos de
pressão que podem ter efeitos danosos nos sistemas de conduta. Foi
concretamente sugerido por um Colega a substituição do actual demonstrador por
um outro baseado nas diferentes propriedades ressonantes de placas de metal com
diferentes geometrias (tal como num xilofone). Esta sugestão, por não ilustrar
directamente o princípio de funcionamento do interior da cóclea, foi declinada
pelo coordenador. Neste contexto, o coordenador propõe uma nova evolução do
demonstrador anteriormente construído, como se descreve a seguir.
A estrutura base do último demonstrador construído
da hidromecânica da cóclea ilustra-se na figura seguinte. Os vários ensaios
realizados mostraram que o ar existente no sistema, dada a sua
compressibilidade, é perturbador do seu funcionamento, além de não ter qualquer
fundamento ilustrativo pois não existe ar no interior da cóclea. Uma das
conclusões a que se chegou foi portanto que todo o jogo de pressões que se
desenvolve no interior da estrutura do demonstrador deve exercer-se, tal como
no interior da cóclea, num único meio. Por outras palavras, o interior da
estrutura do demonstrador só pode conter água.

Mesmo apesar deste erro básico de modelização, o
demonstrador anterior permitiu obter uma evidência funcional que é consistente
com o efeito final pretendido. Relembra-se aqui que o efeito final pretendido é
que para frequências de excitação baixas, oscile predominantemente o nível de
líquido no vaso mais afastado do ponto de excitação, e que para frequências
mais altas, oscile predominantemente o nível de líquido no vaso mais próximo do
ponto de excitação.
A evidência obtida consistiu no facto de se poder
observar fisicamente que para frequências de excitação baixas todos os vasos
oscilam, embora diferentemente, mas que à medida que a frequência de excitação
aumenta, a oscilação nos vasos mais distantes do ponto de excitação é cada vez
menor. Isto é, cada vaso revela uma selectividade típica de um filtro
passa-baixo. Nesta perspectiva, quanto mais afastado do ponto de excitação se
encontrar o vaso, menor será a sua frequência de corte. Esta conclusão é
ilustrada no diagrama seguinte só para três vasos.

Porém e em coerência com a conclusão anterior, não
foi observado o outro efeito pretendido de se evidenciar fisicamente que à
medida que a frequência de excitação diminui, a oscilação nos vasos mais
próximos do ponto de excitação é cada vez menor. Este efeito corresponde a
impor para cada vaso uma frequência inferior de corte. Por outras palavras,
pretende-se que cada vaso exiba um comportamento do tipo passa-banda, o que
retrataria o princípio de selectividade em frequência da membrana basilar.
Com este objectivo, propõe-se uma modificação
estrutural ao modelo anterior como se ilustra a seguir. Neste novo modelo não
existe ar no interior do demonstrador e insere-se um elemento oscilante no
interior de cada vaso composto por uma ampola rígida suspensa nas suas
extremidades por duas molas fixadas no vaso.
O diferente enchimento de cada ampola com um
material mais denso que a água –para além de sugerir visualmente a variação da
espessura da membrana basilar- visa criar uma inércia diferenciada de vaso para
vaso o que afecta a frequência superior de corte do elemento oscilante. A
diferente rigidez de cada mola (que deverá ser ajustável manualmente em cada
vaso rodando um parafuso de aperto que contudo garanta estanquicidade) visa
criar uma característica de rigidez diferenciada de vaso para vaso, o que
afecta a frequência inferior de corte do elemento oscilante.
Pretende-se pois que esta inovação conduza ao
comportamento em frequência esperado do tipo passa-banda e ilustrado a seguir
só para três vasos.
Deixa-se esta nova proposta à apreciação dos
parceiros de modo a ser discutida na próxima reunião. Relembra-se por último
que toda a estrutura de tubos (excepto o balão e o êmbolo accionador das
vibrações) deverá ser completamente rígida para não afectar a distribuição das
pressões no interior do sistema demonstrador.
NOTA 1: É óbvio que o procedimento correcto na
perspectiva de engenharia, seria a simulação e validação prévia do sistema
hidro-mecânico antes da construção do protótipo. Porém, esta abordagem requer
conhecimentos e a utilização de ferramentas específicas que nenhum dos
parceiros do projecto domina, nem se conseguiram associar ao projecto, apesar dos
esforços desenvolvidos nesse sentido, através contactos com entidades
exteriores ao projecto.
NOTA 2: Em associação com este demonstrador, há que
que preparar alguma informação em póster, talvez enquadrada no póster
informativo sobre o sentido da audição, e aludindo especificamente à forma como
o aspecto da selectividade em frequência da membrana basilar (interior da
cóclea) é retratado pelo demonstrador interactivo.
(projecto e
implementação de um dispositivo compacto e apelativo para a monitorização de
níveis e exposições sonoros, INESC Porto, CIC)
Por oportunidade da visita realizada pelos Colegas
do CIC durante o dia aberto da FEUP (6 de Março) apurou-se que o circuito final
da versão analógica do sonómetro já foi definida, após alguns ajustes que
tornaram o sistema funcionalmente mais apelativo. Dado que esta versão do
sonómetro é fundamental para o sucesso das acções de campo previstas no
projecto, importa definir na próxima reunião uma estratégia e calendário para
produzir bastantes unidades deste sistema (entre 100 e 150). Concretamente,
espera-se que os Colegas do CIC forneçam o esquema electrónico pormenorizado do
sistema e ajudem a concluir sobre:
·
possibilidade de todo o circuito poder ser
alimentado com 3 Volt (i.e. duas pilhas AA),
·
custo dos componentes necessários para cada unidade
incluindo placa de circuito impresso e suporte para pilhas,
·
via mais rápida de obter as placas de circuito
impresso necessárias (podem ser desenhadas pelos serviços de CAD do INESC
Porto),
·
via mais rápida de adquirir todos os componentes
necessários (pode ser feito pelo INESC Porto),
·
via mais rápida de montar todos os componentes em
todas as placas de circuito impresso (há condições para que isto seja feito no
CIC, mesmo adquirindo algum equipamento de auxílio à montagem ? Neste caso, de
que equipamento se trata e qual é o seu custo para instituições de ensino ?).
NOTA: Em associação com este demonstrador, deve-se
preparar um póster sobre a natureza e características do som, e enquadrar a relevância
do sonómetro neste tema.
(projecto,
construção e manutenção de uma página na “Internet” sobre o projecto, suas
realizações tecnológicas inovadoras e acções integradas de formação,
demonstração tecnológica e sensibilização, todos os parceiros)
A criação da página Web do projecto não foi ainda
iniciada mas sê-lo-á nas próximas semanas. A aplicação para PC de sinais de voz
irá ficar disponível nesta página após a sua apresentação no 6º Fórum Ciência
Viva. Procurar-se-á articular a criação de material temático para esta página,
particularmente relativamente ao tema do som e suas propriedades e ao tema do
sistema auditivo humano, suas características, funcionamento e
vulnerabilidades, com os dois pósteres a preparar sobre estes temas, de modo
também a duplicar esforços.
(planeamento,
preparação e condução das acções pedagógicas incluindo as componentes de
demonstração/experimentação, apresentações/debate e testes audiométricos, todos
os parceiros)
Dado o tempo necessário à construção dos
demonstradores previstos no projecto, e dado que oficialmente o projecto se
conclui em Junho de 2001, não há objectivamente tempo suficiente para planear e
conduzir adequadamente as acções de campo previstas. Neste sentido, o coordenador
irá solicitar ao Gabinete do Programa Ciência Viva uma extensão da duração do
projecto, mantendo naturalmente o seu orçamento, até Novembro de 2002.
Entretanto, o coordenador irá consultar com o
especialista de audiometria (parceiro do projecto) e também com uma médica de
otorrinolaringologia do hospital de S. João (que gentilmente ofereceu o seu
apoio no planeamento e condução dos testes audiométricos) de modo a antecipar
os preparativos para aquelas acções, nomeadamente quanto a:
·
viabilidade de realização dos testes audiométricos
a estudantes na própria escola secundária com base num audiómetro de banda
larga e portátil (cuja aquisição está prevista no projecto),
·
número de testes audiométricos que é viável
efectuar num único dia,
·
custo dos serviços de audiometria na execução dos
testes,
·
concepção dos testes audiométricos e questionário
relacionado, informação e pedido de consentimento aos encarregados de educação
observando todos os critérios deontológicos aplicáveis,
·
critérios de sigilo a observar na análise e
publicação dos resultados dos testes audiométricos.
Relembra-se por último que os parceiros podem
efectuar pequenas despesas (as “grandes” deverão ser feitas pelo próprio INESC
Porto) havendo lugar a posterior reembolso. Deverão para este efeito solicitar
factura da despesa, em nome do INESC Porto, e mencionando o seu nº de
contribuinte: 504441361.